O Parlamento da Catalunha escolheu um separatista linha-dura como líder nesta segunda-feira, abrindo caminho para o encerramento de sete meses de controle direto de Madri, mas também para mais incerteza política em uma região que insiste em buscar a separação da Espanha.

A eleição de Quim Torra como líder regional permitirá que a região rica seja responsável por sua administração pela primeira vez desde outubro, quando Madri impôs o controle direto depois de demitir o governo anterior por este ter declarado independência.

Deve garantir ainda ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, o apoio que ele precisa de partidos regionais para implantar planos orçamentários há muito adiados do governo central, mas dificilmente amenizará as tensões entre Madri e Barcelona.

Profundamente dividido, o Parlamento catalão somou 66 votos a favor, 65 contra e 4 abstenções para a escolha de Torra, ex-advogado e editor com pouca experiência política. Uma maioria simples era tudo que ele necessitava para ser eleito como líder depois de ficar aquém de uma maioria absoluta em uma votação realizada no sábado.

Após a eleição, parlamentares pró-independência se levantaram e entoaram o hino catalão. Em seguida Torra, que foi escolhido a dedo como candidato pelo ex-líder regional Carles Puigdemont, abraçou membros do Parlamento que fizeram fila para cumprimentá-lo.

Muitos usavam faixas amarelas em homenagem aos políticos catalães sob custódia em prisões devido ao seu envolvimento no referendo secessionista ilegal de outubro.

Em um discurso ao Parlamento no sábado, Torra prometeu trabalhar visando uma república catalã e se referiu a Puigdemont, que está em Berlim esperando que um tribunal alemão arbitre um pedido de extradição da Espanha, como o líder legítimo da região.

O governo espanhol classificou o discurso como belicoso, e Andrea Levy, parlamentar do Partido do Povo (PP) de Rajoy, disse nesta segunda-feira em uma entrevista à televisão que Madri voltará a impor o controle direto se a nova gestão se opuser à lei.

Temendo uma reação negativa dos investidores, mais de três mil empresas retiraram suas sedes da Catalunha desde outubro, e o turismo também diminuiu depois do referendo.

Os partidos pró-independência conquistaram a maioria das cadeiras nas eleições regionais convocadas em dezembro por Rajoy, mas o que obteve mais votos foi o Ciudadanos, que defende a unidade espanhola.