SP: 19/03/18 – 14h26

Mais reflexão e menos mentiras

por Fernando Aires

lutoNem bem passou um dia da trágica morte da vereadora carioca, Marielle Franco, e algumas mentiras já começaram a veicular na internet, a começar pelo Facebook e Whats App. E boa parte delas partiu justamente de alguém que deveria prezar pela verdade e Justiça no país: uma desembargadora.

Segundo reportagem do El País, juntamente com o “Movimento Brasil Livre” ela teria disseminado conteúdo que acusava a vereadora de ter ligações com o tráfico de drogas, e que em virtude do descumprimento de qualquer acordo com os bandidos, teria pago com a própria vida.

A desembargadora explicou que, postou o conteúdo com base nas informações que leu em um texto de uma “outra amiga”. Acrescentou ainda que, jamais conheceu a vereadora. É lamentável…

O ser humano perde as melhores oportunidades de refletir e tentar fazer algo construtivo para si e para o país. A morte desta moça, por exemplo, que foi um ultraje à toda nação.

Um ultraje a todos nós que pagamos impostos altos e merecíamos um mínimo de segurança nas ruas. Se o povo parar pra pensar, qualquer um de nós, pode a qualquer momento ser cravejado de balas, por discordar, criticar e lutar contra um sistema injusto, desonesto e que corrói o país aos poucos. Isto, ninguém enxerga.

Qualquer um de nós poderia estar naquele carro, até por críticas feitas em uma rede social. É aí que perguntamos: estamos mesmo em uma democracia? Será que temos tanta liberdade assim de criticar e falar, por exemplo, dos rombos milionários que deputados e senadores dão diariamente?

Isto não é invenção da nossa cabeça, está lá, sai na imprensa a todo momento.

Experimente dizer que o ministro do STF, Gilmar Mendes, solta ladrão e estuprador, para ver se a gente não perde um processo bem salgado pra ele.

Experimente chamar um ex-presidente pelo seu adjetivo certo, corrupto, e questioná-lo sobre os desvios das obras de transposição do rio Rio São Francisco; das palestras milionárias que até hoje não têm um único vídeo disponível; da estatização da refinaria da Petrobras na Bolívia, em seu governo. Era dinheiro nosso!

Questione um STF pela demora na execução da pena decretada em segunda instância, só porque o condenado é um ex-presidente, sendo que a mesma já fora determinada e aprovada pela própria Casa.

Experimente questionar e apontar o dedo a um governador que quebra o Estado para dar joias à sua esposa, ou à outro que superfatura obras do metrô e diz que “resolveu a crise hídrica do Estado”, sem ter feito os investimentos necessários à época, para aumentar a potência hídrica e melhorar a distribuição de água.

O que teria feito ele, afinal, a não ser rezar para chover? Muito diferente de nós, não é mesmo?

Experimente questionar os Sarneys que atolaram o Maranhão na miséria, apenas para que toda família se mantivesse por anos a fio na política, tirando do povo e censurando jornais como o “O Estado de São Paulo”, que ficou mais de ano sem poder falar da operação “BOI BARRICA”, que denunciava Sarney Filho.

E o que falar de quem assume a prefeitura, pensando na presidência? De quem quer cortar o salário dos professores para reajustar a previdência, despindo um santo para vestir a outro? Isso que é valorizar quem dedica a própria vida à nossa.

O que dizer da figura caricata de um presidente da república, com quase 80 anos, cheio de trejeitos e jeitos ao tentar explicar suas teorias à nação, ou mesmo, o seu envolvimento em pagamentos de propina a deputados presos (Eduardo Cunha) na Operação Lava-Jato? Até gravação houve, na qual ele afirma a um empresário do ramo de carnes, no Palácio da Alvorada, à noite, que o pagamento tem que continuar.

E ele, continua presidente, é claro.

Diante disso tudo, muitos preferem “soltar o verbo”, em cima de quem já partiu, não é mesmo?

Por isso, vivemos em um país maravilhoso, porém, bastante judiado por uma raça que jamais poderiam estar no poder. Eles, sim, são os responsáveis pela morte injusta e lastimável que a moça e o coitado do motorista tiveram. E quem além da própria população, seria capaz de tirá-los de lá?

Fernando Aires

É jornalista, publicitário, escritor e Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo – RJ.