SP: 8/03/18 – 11h47

Eu só observo…

por Fernando Aires

PALHACOS  1Tem coisas no mundo que a gente vê, lê, pensa e não consegue entender. Eu só observo… Guerras que duram séculos, por pedaços de terra que não pertencem a ninguém a não ser ao próprio mundo. Afinal, quem leva terra consigo depois que morre?

Poder, por exemplo, é algo que cega a qualquer um. Não precisa ser presidente, exercer qualquer cargo público, basta ter dinheiro, um cargo maior que os demais na empresa, órgão / entidade ou ainda, uma conta no Facebook. Sobra apelidos, xingamentos, julgamentos, sem contar conteúdo chato a beça, irônico, homofóbico, xenofóbico e uma série de pejorativas atitudes que em nada ajudam ao país e muito menos a si mesmo.

Por favor, não confundam com brincadeiras e piadas, que são as únicas coisas que ainda tornam a Rede Social agradável.

Aliás, Rede Social, na minha opinião, é algo para se divertir, brincar, trocar informações úteis e até, matar a saudade (rapidinho) de quem a gente não vê faz tempo. Não substitui, portanto, a vida real, que é muito mais interessante e bonita, com suas rodas de bate-papo, conversa, olho no olho, namoro, amizades e muito mais. Política, todo mundo entende.

Escolhem candidato A, B, C, D, criam páginas, curtem, compartilham… mas perceber que são todos farinha do mesmo saco, alguém percebe? Não! Vai argumentar com qualquer um a respeito deles… Mesmo sendo apolítico, você vira partidário e ainda sua mãe nunca será tão lembrada na vida.

Outra coisa interessante, acho incrível a percepção que o ser humano tem de humanidade, solidariedade e etc, quando se trata de animais. É legal isso, também gosto de defender os bichinhos, mas, olha quanta gente sofre no mundo, irmão(ã)? Não precisa olhar pra Síria, apenas, vamos olhar pra África, por exemplo, com seus ditadores sedentos de poder e ambição, o que não fazem com as populações de Guiné, Zimbábue, Etiópia, Sudão e outros?

Pior: se lá eles padecem, aqui, no Maranhão, tem gente vivendo na idade das pedras, sem luz, água encanada, rede de esgoto, comendo lama, sujeira e bebendo água podre.

Lá vive a Família Sarney, do alto de seu luxo, comendo e bebendo do melhor, indicando um diretorzinho geral da Polícia Federal, um babaca chamado Segóvia, que só não pôs as mãos na Lava Jato, porque aqui, vamos ser sinceros, realmente, Deus é brasileiro. Mas acabou adido na Itália, de forma “especial”, como defendeu o Itamaraty, sem passar pelos trâmites legais.

Quer mais do que um país onde o condenado em segunda instância, em vez de ser preso como manda a lei, quer que o povo o julgue nas eleições? Se a moda pega, o Fernando Beira-Mar vai pedir que todos os seus clientes o julguem também… Se bem que pra largar aquele Home-Office, só se ele tivesse fumado muito.

Um país onde um jogador de futebol, ganha para si um andar inteiro de um hospital só porque operou o pezinho, enquanto milhares morrem na fila de atendimento dos PS’s; onde um Governador quer ser presidente e diz que resolveu a crise hídrica, quando na verdade fez uma gambiarra pra levar agua de fundo de reservatório para o Estado; onde outro governador, junto de sua quadrilha, não bastando quebrar um Estado inteiro, vai pra cadeia e até motel particular faz para si lá dentro. Onde estamos?

E ainda tem quem diga que a lei é para todos…

Em país onde nego vende o almoço pra comprar a janta, mas não perde um joguinho sequer do seu time de futebol e ai de quem falar mal deste time. E assim, a gente vive num mundo meio de cabeça pra baixo, onde a Anita vira referência de música brasileira, sendo que há poucas décadas tínhamos Elis Regina encantando a França, e outros países.

Quer saber? O negócio é relaxar e ouvir um pouco de Jô Jô Todynho, mas só um pouco, senão com certeza, a vida vai imitar a arte e alguém vai querer lhe dar um tiro.