SP: 12/10/17 – 11h

Espanha dá 8 dias para líder catalão desistir de independência

Da Redação

Rajoy, durante sessão do ParlamentoO primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, deu ao governo da Catalunha nesta quarta-feira oito dias para desistir de sua iniciativa de independência, caso contrário suspenderá a autonomia política da região e a governará diretamente.
A medida pode aprofundar o confronto entre Madri e a região do nordeste espanhol, mas também sinaliza uma saída para a maior crise política do país desde o golpe militar fracassado de 1981.

Rajoy provavelmente convocaria uma eleição regional antecipada depois de acionar o artigo 155 da Constituição, que lhe permitiria demitir o governo regional catalão.

O líder catalão, Carles Puigdemont, emitiu uma declaração de independência simbólica na noite de terça-feira, mas imediatamente a suspendeu e pediu negociações com Madri.

“O gabinete concordou nesta manhã em requerer formalmente ao governo catalão que confirme se declarou a independência da Catalunha, independentemente da confusão deliberada criada com sua entrada em vigor”, disse Rajoy em um discurso televisionado depois de uma reunião de gabinete convocada para estudar a resposta do governo central.

Mais tarde ele disse ao Parlamento espanhol que o governo da Catalunha tem até as 10h locais da segunda-feira que vem para responder. Se Puigdemont confirmar que declarou a independência, terá até as 10h do dia 19 de outubro para retificar a ação. Sem isso, o artigo 155 será acionado.

Ainda não ficou claro se o governo catalão responderá à exigência, mas agora ele enfrenta um dilema, dizem analistas.

Se Puigdemont disser que proclamou a separação, Madri intervirá. Se disser que não o fez, o partido de extrema-esquerda CUP provavelmente retirará seu apoio ao governo de minoria do líder.

“Rajoy tem dois objetivos: se Puigdemont continuar ambíguo, o movimento pró-independência ficará mais fragmentado; se Puigdemont insistir em defender a independência, Rajoy poderá aplicar o artigo 155”, disse Antonio Barroso, vice-diretor da empresa de pesquisa Teneo Intelligence, sediada em Londres.

As apostas são altas, já que perder a Catalunha, que tem língua e cultura próprias, privaria a Espanha de um quinto de sua produção econômica e mais de um quarto de suas exportações.

Era grande a expectativa de que Puigdemont declararia a independência catalã unilateralmente na terça-feira, depois de o governo regional dizer que 90 por cento dos catalães votaram pela secessão em um referendo de 1ª de outubro. As autoridades de Madri declararam a consulta ilegal e a maioria dos adversários da separação a boicotou, reduzindo o comparecimento a cerca de 43 por cento.

Um porta-voz do governo catalão em Barcelona disse nesta quarta-feira que, se Madri acionar o artigo 155, a região seguirá em frente com medidas visando a criação de um Estado próprio.