SP: 6/12/17 – 8h12

É preciso trabalhar para convencer aliados e só então marcar data de votação

Reportagem de Maria Carolina Marcello

Rodrigo Maia durante evento no Palácio do PlanaltoA despeito do clima de otimismo de aliados, que apostam em uma votação da reforma da Previdência na próxima semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta quarta-feira que a articulação sobre a reforma da Previdência concentre-se no “convencimento” dos indecisos, para só depois marcar uma data para deliberação.

O deputado aproveitou para criticar a estratégia de governistas, que após um café da manhã no Palácio da Alvorada, divulgaram estimativas de votos a favor da proposta. A mais corrente gira em torno dos 260 votos, mas a mais otimista, que leva em conta o apoio de indecisos, contabiliza 310 votos. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a reforma precisa do “sim” de 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação.

“O que a gente precisa é trabalhar o convencimento de cada parlamentar, entender se nós temos condição de votar a matéria. E quando a gente tiver esse convencimento, indicar a data que será votada”, disse Maia a jornalistas.

“Acho que ficar falando número, acho que não ajuda muito o processo de convencimento dos deputados. Fica parecendo uma pressão sobre os deputados e isso não é bom, porque essa é uma matéria difícil, fundamental, e a gente precisa ter muito diálogo e muita paciência para que ela possa avançar na Câmara dos Deputados.”

O presidente da Casa disse ainda que não irá pautar a proposta se ela não contar com os votos necessários para ser aprovada, já que uma derrota passaria, na opinião do deputado, uma mensagem ruim à sociedade.

“A gente ir para uma votação com clareza de derrota apenas para ter uma data, a gente vai estar gerando uma sinalização de que não há na Câmara uma responsabilidade fiscal majoritária, e há. Essa maioria existe”, disse Maia.

“O problema são as circunstâncias, tudo o que nós passamos esse ano que acaba gerando um certo desconforto nos parlamentares”, afirmou.

As declarações de Maia servem de contraponto a avaliações de aliados que, mais cedo, após café no Palácio da Alvorada, apontaram uma mudança de ânimos na Casa. Eles apostam na migração de indecisos assim que o sentimento favorável à proposta for consolidado em um número próximo a 290.

Maia já declarou, em outra circunstância, que prefere ser realista a otimista, e defende que o governo conte com uma margem de votos acima dos 308 para levar a proposta a plenário.