SP: 5/04/17 – 9h45

Caminhos Perigosos

por Fernando Aires

Mulher pinta a bandeira do Brasil em uma ruaO Brasil adentra em campos perigosos e se a população não ficar esperta, pode ter várias surpresas desagradáveis. É verdade que muitos figurões estão sendo investigados e alguns até finalmente encarcerados – “como nunca antes na história desse país”. Contudo, existem outros visivelmente corruptos e criminosos que estão à solta, muitos deles, aliás, prontos a tentar um pleito novamente pelo único privilégio do Foro. Nada mais que isto. Outros são ainda governadores, deputados, ministros, vereadores e como já se sabe, nada fazem a não ser gastar o que não é seu.

Outros que aí estão no poder – e que outrora estavam de mãos dadas com aqueles que por 13 anos quebraram a economia do Brasil, continuam mandando e desmandando ao bel prazer. Mexendo em direitos intocáveis da população, tirando o sono e o sossego de quem já trabalhava há décadas, mais da metade do ano só para pagar impostos. Aposentadoria, FGTS, Indenizações e outros, esquece. O direito deles, ninguém tira mesmo.

Isso porque, ao contrário do que ocorreu (nos últimos anos) com o PT, o PMDB tem uma larga vantagem: a população voltou a “dormir”.

Não digo que o brasileiro deva incendiar e quebrar o Congresso, como fizeram os paraguaios diante da proposta de reeleição aprovada na surdina, na última sexta (31/03). Vontade não falta, cá entre nós, mas é preciso ter a coragem que eles têm de se impor e dizer NÃO, como foi feito com Dilma, onde nem mesmo o teto do Congresso escapou de ser ocupado. Até mesmo a Venezuela, agora, já começa a se impor diante de um Maduro autoritário, ignorante e “verde” de vivência e princípios democráticos.

Aí, sim, é possível mudar um país. Estamos no meio de um processo importantíssimo, correndo no Tribunal Superior Eleitoral, onde o presidente e Ministro Gilmar Mendes não faz questão alguma de esconder o seu partidarismo político, chegando ao cúmulo de afirmar que o voto indireto, seria a única solução ao Brasil, caso a chapa Dilma-Temer fosse cassada. Com o Congresso que nós temos, amigo, dá é medo de ver isso acontecer.

Temos um cenário político onde há bem pouco tempo, o procurador geral Rodrigo Janot entregou uma lista com 83 indiciamentos por crimes de corrupção, sendo que cada inquérito pode incluir mais de uma pessoa investigada. Delações e mais delações que mostram propinas até onde a Justiça, que deveria ser cega e imparcial, está contando notas graúdas, a fim de pesar a lei mais para alguns do que pra outros.

São atitudes como a do recém empossado ministro do TSF, Alexandre de Moraes, de anular uma investigação da PF sobre o desvio de mais de R$ 200 milhões, apenas por causa de uma incursão envolvendo o gabinete de uma deputada, que preocupam. Afinal, estariam nossos parlamentares acima da lei? Esse dinheiro não é do povo? A quem Alexandre representa, afinal?

Tentativas de todo jeito para que Temer permaneça no cargo; para que a chapa seja separada; para se livrar a cara de deputados, senadores, ministros, gente que sabia e também fez parte dos esquemas comandados e criados pelo PT. E o pior, gente que traça os rumos do país, com projetos de lei estúpidos, como o que ainda ontem seria votado sem alterações, e que poderia acabar com mais de 100 mil postos de trabalho, caso o UBER fosse extinto. Só em março, foram 13 milhões de corridas feitas, segundo o aplicativo, e isso movimenta a economia do país, não?

É preciso ficar esperto com estes que estão aí. Não há um que se salve. Eles decidem o futuro do país, quando o povo dorme. E o caminho ao que parece, fica cada vez mais incerto e perigoso.

Fernando Aires

É jornalista, publicitário, escritor e Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo – RJ.