SP: 31/07/17 – 14h14

Brasil: O país do futebol: das oportunidades

Com tanto dinheiro desviado em corrupção, uma coisa é certa: aqui não faltam recursos, falta vontade

por Fernando Aires

brasil-pais-do-futuroMais do que futebol – que inegavelmente é uma paixão nacional, o Brasil precisa abrir caminhos para outras oportunidades de sucesso.

Seria ótimo, por exemplo, se através de um governo mais comprometido, as Forças Armadas e os Ministérios do Esporte, da Cultura e da Educação investissem em projetos para “recrutar” jovens de todos os cantos do país à seus serviços. Jovens que estudariam e seriam pagos para no futuro, dedicar-se a tais propósitos.

Teríamos futuramente militares, atletas, músicos, artistas, escritores, professores, pessoas que na infância receberiam um pequeno valor para estudo, a fim de ajudar em casa. Com isso, encontrariam habilidades, competências e quem sabe, uma paixão por um caminho melhor.

Tais medidas garantiriam um futuro a esses jovens, que buscam muitas vezes no tráfico e na violência, uma maneira de terem um dinheirinho “fácil” para ajudar em casa. Tiraria as crianças das ilusões das ruas, dos faróis onde vivem pedindo esmolas, a mercê do cigarro, da criminalidade e das pedras do craque.

Quando se fala em esporte, muitas crianças pensam no futebol como uma grande oportunidade, mas que na verdade oferece pequenas chances de sucesso. Os estudos que deveriam nutrir sonhos, não possuem os incentivos adequados. As estruturas de muitas escolas são parcas e conta-se apenas com a boa vontade dos professores.

É aí que o crime seduz, por oferecer uma perspectiva maior em um país carente de projetos e investimentos. Imagine um laboratório de Ciências e Tecnologia, onde crianças mais carentes tivessem a oportunidade de aprender e desenvolver aptidões? Onde enxergassem OPORTUNIDADES!

Ou crianças que descobrissem na disciplina, na formação e exemplo dos quartéis, o prazer de servir, conhecer e proteger o seu país? Além de futuros atletas de boa qualidade em jogos e competições olímpicas, e milhares de outros jovens encontrando na arte e na cultura uma vida melhor. Haja visto o projeto Guri do Maestro João Carlos Martins. Não teríamos um Brasil bem diferente e quem sabe mais seguro?

Mas as cadeias estão lotadas, com mais de 300, 400 mil detentos. E o que se pode fazer com estas pessoas?

Pois trabalho é o que não falta no Brasil. Quantos hectares de terras não poderiam produzir alimentos e outras matérias primas para exportação e consumo interno? Quantas estradas não precisam de asfalto? Parte da mão de obra poderia vir dos presídios, onde cada detento poderia trabalhar e receber por isso.

Uma parte do seu ordenado (um valor mais baixo que o de mercado), poderia custear suas próprias despesas no sistema carcerário, enquanto a outra parte seria destinada à sua família. Isso já existe no Brasil, em presídios construídos em Minas Gerais, por meio de Parcerias Público Privadas.

É claro que tais ideias não excluem a necessidade de um patrulhamento mais ostensivo, de leis mais rígidas e infelizmente, de um comportamento mais austero diante de cruéis assassinos, estupradores e ladrões – cuja índole não se transforma mais.

Contudo, o Brasil não pode ser apenas o país onde a violência seja uma resposta a tudo, e o futebol, a única “esperança” aos jovens carentes. Com tanto dinheiro desviado em corrupção, uma coisa é certa: aqui não faltam recursos, falta vontade. É preciso fazer do Brasil uma terra de todas as oportunidades, daquilo que se quiser fazer e construir. Basta que o Governo enxergue, queira, e que o povo, cobre e faça.

 

Fernando Aires

É jornalista, publicitário, escritor e Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo – RJ.