SP: 19/05/17 – 7h

A Temer, Joesley confessa propina a procurador, reclama de nomeações, e diz que “zerou” pendências com Cunha

Por Ricardo Brito

Presidente Michel Temer faz pronunciamento no Palácio do PlanaltoNa conversa gravada com o presidente Michel Temer, o empresário Joesley Batista, um dos controladores da JBS, confessou ter pago propina a um procurador da República para ter acesso antecipado a investigações que o envolvia, reclamou de nomeações para cargos importantes no governo, defendeu uma queda mais acentuada da taxa Selic e disse que “zerou” as pendências com o ex-deputado Eduardo Cunha.

O diálogo de quase 39 minutos com o presidente, que fez parte de uma ação policial controlada feita com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), serviu de base para a abertura nesta quinta-feira de inquérito pelo ministro Edson Fachin contra Temer.

A conversa dos dois ocorreu no dia 7 de março no Palácio do Jaburu e, segundo o empresário, era a primeira vez que eles se encontravam desde que o peemedebista assumira o comando do país.

O empresário afirmou a Temer que “zerou” todas as pendências que tinha com Cunha e que estava “de bem” com o ex-deputado preso. “Tem que manter isso, viu?”, disse Temer, interrompendo a fala de Batista. “Todo mês, também, eu estou segurando as pontas, estou indo”, completou o empresário.

Esta simples frase “tem que manter isso, viu?” gerou a maior crise política do governo Temer desde sua divulgação pela primeira vez na época, em notícia que afirmava que o presidente tinha dado aval para a compra do silêncio de Cunha.

A prisão de Cunha, em outubro do ano passado, sempre gerou temor em integrantes do governo Temer de que o ex-presidente da Câmara –que era próximo do presidente– pudesse fazer um acordo de delação premiada.

Na conversa com o presidente, Joesley disse que Cunha tinha lhe feito exigências, que, posteriormente, ele cumpriu.

“Eu queria falar assim. Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui para ali, zerou tudo. E ele foi firme em cima e já estava lá, veio, cobrou, tal, tal, tal. Pronto. Acelerei o passo e tirei da fila”, disse Joesley a Temer.