SP: 9/06/16 – 18h16

A estradeira dos sonhos meus, teus, deles…

Descubra porque apesar de tantos anos, ela ainda mexe com a cabeça dos aventureiros.

por Fernando Aires

Tudo começou em Milwaukee, estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, quando um jovem de 20 anos e outro de 21, amigos desde a infância, resolveram adaptar um motor a uma bicicleta, pelo simples prazer de dar um passeio sem ter a necessidade de pedalar. Corria o ano de 1903, quando então, na garagem da família Davidson, ambos deram início a lendária empreitada. O resultado, foi a moto mais desejada de todos os tempos.

Seus nomes eram William Harley e Arthur Davidson, desenhistas mecânicos que construíram a motocicleta com apenas um motor simples, um selim amplo e confortável e um tanque com grande capacidade, que aguentava até a pior gasolina. Diz a história, que o carburador era feito de uma lata de molho de tomate. Contudo, independente do que fosse utilizado, a Harley Davidson já surgiu conquistando a todos os gostos, em um momento onde inúmeras pessoas queriam abandonar seus problemas, relaxar e explorar novos horizontes. Ainda em 1903, a pequena fábrica de Milwaukee já havia produzido 3 motos iguais a original, sob encomenda. Pouco depois, a produção anual saltou para 25 mil motos.

Na década de 30, devido a crise econômica, mais de 250 fábricas americanas de motocicletas tiveram que fechar suas portas, restando apenas a Harley e a Indian. O momento foi bom para a marca e ficou melhor ainda, quando na segunda Guerra Mundial, toda a produção da Harley foi de uso exclusivo do Exército. De 1941 à 1945, a empresa enviou à guerra mais de 86 mil motos. Nas décadas de 50 e 60, a Harley atingiu o apogeu. Vieram então as roupas de couro só para acompanhar com classe, aquela que já se tornava um ícone americano.

Vários atores de Hollywood já contavam com a parceira em seus filmes, como os inesquecíveis Dennis Hopper e Peter Fonda, no filme “Sem Destino” (Easy Rider), de 1969. A história do longa conta a travessia americana de dois jovens pelo asfalto e pelo chão de terra, em busca de liberdade, a bordo de um par de motocicletas. Até hoje, a história permeia o imaginário das pessoas como um sonho. O barulho do motor e o cheiro de gasolina compõem a trilha repleta de sensações que apontam um único objetivo: desbravar novos territórios.

Nos início dos anos 80, acuada pela invasão da marca japonesa HONDA, a Harley viu sua participação de mercado cair de 86%, em 1973, para 23%, em 1983. Nesse ano, Ronald Reagan decidiu estender a proteção tarifária por cinco anos, ao já moribundo setor das motocicletas.  Foi quando a Harley não só conseguiu se recuperar, como também pediu o fim do regime protecionista um ano antes do combinado. Em 1987, Reagan foi pessoalmente à Milwaukee celebrar a recuperação da fábrica.

No início dos anos 90, a empresa recuperou o primeiro lugar em vendas no mundo, desbancando a Honda, até então a sua maior rival. Atualmente, no Brasil, uma Harley Davidson chega a custar R$ 70 mil e tudo nela pode ser modificado para a satisfação de quem a compra. Ao contrário do que muita gente pensa, uma Harley Davidson não é feita para correr, mas sim para passear pelas estradas, curtir a paisagem e porque não, viajar quilômetros de distância. Engana-se redondamente também quem acredita que esta moto é coisa dos malucos tatuados, roqueiros e outros que não tem o que fazer.

Segundo um levantamento feito pela própria empresa, estes “malucos” são em sua grande maioria médicos, empresários, jornalistas, advogados, políticos, enfim, pessoas de muita posse e importante ocupação, que vez por outra saem pelas estradas em busca de muita aventura e diversão.
Neste último mês de agosto, a Harley completou 109 anos, mostrando a mesma força e competitividade de sempre. Força esta que mesmo diante da atual crise mundial, garante o eterno prazer e estilo, num lendário e único nome.