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A paulistana Luciane Maioli mostra seu ateliê, sua arte e fala sobre as dificuldades vividas por quem sonha em ser um artista.
Por: Fernando Aires
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paixonada pelo Renascimento. Fascinada pelos pintores, pelo desenho, cores e trabalhos
de um período histórico que revolucionou o mundo. Assim se define a artista-plástica e professora de artes Luciane Maioli: paulistana de nascimento, renascentista de coração. Logo que o bate-papo começa, artista afirma: “Na minha opinião, o desenho é fundamental. Nada podemos criar sem ele. É o que permite que a obra adquira melhor proporção, que a pintura tenha um jogo mais adequado de luz e sombra, além de proporcionar ao artista mais liberdade também, para dar ritmo e dinamismo à obra, com a perspectiva”.
Certa vez, um grande artista disse: “O Homem é responsável por seus próprios sonhos”. Talvez, nenhuma outra frase represente melhor um contexto histórico, onde a arte ganhou enorme significado como reflexão sobre os pensamentos da Idade Média e Antiguidade, que tomaram o centro das discussões. As proporções do corpo e as primeiras noções de anatomia tornaram-se intenso objeto de estudo. O homem aprende a representar o mundo com novas técnicas e com isso o vê sobre outras perspectivas.

O autor da frase, é o pintor preferido de Luciane. O nome dele, deixemos para o final. Foi um homem versátil, que viveu à frente de seu tempo e dominou diversos conhecimentos de astronomia, anatomia, ciências e outras áreas do conhecimento humano. Estudos seus, elaborados há mais de cinco séculos, ainda hoje são utilizados pelo ser humano, como o “Homem Vetruviano”, baseado numa famosa passagem do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio, em que ele descreve as proporções do corpo humano. É com base nesta versatilidade que Luciana enxerga o verdadeiro artista atual. Ela afirma, “todo ser humano que possui uma aptidão para um trabalho, seja ela relacionada a pintura, a culinária, a dança, a fotografia, a comunicação, e a desenvolve, aperfeiçoando ao máximo suas
Segundo Luciane, “A arte nunca foi valorizada. Falta cultura ao povo brasileiro. Falta incentivo por parte do governo. Falta investimento nas escolas. É necessário desenvolver nas crianças as habilidades práticas, a fim de proporcionar à elas um melhor desenvolvimento de suas aptidões”. A artista pinta e desenha desde pequena. Aprendeu com sua mãe, que assim como ela, foi uma professora de artes. Seu trabalho é composto por pinturas acadêmicas e as pinturas que mais gosta de fazer são as artes sacras (imagens religiosas), “Primeiramente, eu monto no computador, a imagem que desejo pintar. Se a montagem ficar boa, eu faço dela um quadro. Amo o renascentismo e minha especialidade é arte sacra. Quando não crio, eu reproduzo quadros famosos, para pessoas que encomendam obras dos mestres da pintura clássica”.
Um caso inusitado, foi um quadro que fez a um aluno. A pintura é baseada numa foto conhecida mundialmente, em livros e vídeos da National Geografic: a refugiada afegã Sharbat Gula, cujo nome significa ´menina da flor de água doce´. O aluno lhe fez um desafio: “Ele duvidava que eu reproduzisse a foto. Fizemos uma aposta. Se eu conseguisse, ele me pagaria cinco mensalidades. Quando viu a obra pronta, na semana seguinte, nem acreditou. A sorte dele é que eu cobrava apenas R$ 25 a aula”, brinca.

Luciane, também conta que muita persistência é fundamental à quem pensa em seguir a carreira de artista, “Nunca foi fácil ser artista. Ao contrário da fantasia que muitos imaginam, que somos pessoas ricas, ociosas e cercadas de luxo, temos sim, muito trabalho e pouquíssimo dinheiro. Alguns artistas que hoje possuem boas condições financeiras, são pessoas que lutaram muito até que pudessem viver apenas de sua arte. Eu creio que quem tem esse ideal, não deve jamais desistir de seu caminho”.
Questionada, Luciane explica, “Muitos dos grandes pintores, como Michelangelo (Teto da Capela Sistina), Rafael (o grande pintor de
"Madonas"), dentre outros, passaram por inúmeras dificuldades. Muitos deles trocavam suas obras, que hoje valem milhões, por pratos de comida ou abrigo. E ainda hoje, é notável o sacrifício que vivemos para comercializar nossos quadros. Infelizmente no Brasil, a arte é pouco valorizada. E só com trabalho e persistência, faremos da arte não apenas um privilégio de poucos, mas uma grande realidade para milhões de brasileiros. Um sonho que cabe a nós realizarmos”, concluiu.
Bem como disse Leonardo Da Vinci, o autor da frase.
técnicas, se torna um grande artista, pois faz de seu
ofício e talento, uma obra de arte".
Fotos: Arquivo Pessoal
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